tem faltado coragem e sobrado dor

apertamento de dentes. maxilar sobrevive, este forte único mordedor de mim. sirenes viraram cantiga de laborar, a toda hora são empurradas janela adentro. caem sobre meu colo, e eu tenho que continuar escrevendo juridiquês como se nada mais palpitasse. pessoas parecem não ouvir as sirenes, parecem não se afetar. nada dói nas pessoas tão acostumadas com excesso de som, de plástico, de maquiagem, de ódio. pessoas assistem cenas de boxe enquanto jantam. o lutador também usa placa pra proteger os dentes dos socos, enquanto as pessoas no restaurante mastigam outros tipos de sangue. esqueceram de me aplicar o anestésico quando fui nascida (porque a língua portuguesa põe a culpa em mim? nego!). vai ver fui eu mesma, esta que ousou nascer pensante, vai ver fui eu que ajuntei tanto dor pra sentir aqui dentro depois de digerir o fora. uns dizem que é preciso coragem. outros acham que equipamentos de proteção individual podem neutralizar a exposição a agentes maléficos. eu continuo palavras a tapas. e me embebedo de deseperança nas pessoas.

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apertado

tá grande

sufocante

o não caber

 

até a amizade

(que antes tinha tempo pra existir toda semana)

sucumbiu

e não mais cabe

 

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centrípeta

quem não vê este tanto de palavra, ou quem vê este tanto de desenho escondido, pensa até que nada rola dentro desta cuca vulcânica. mas rola sim, e… como sempre…avalanche! rola uma faculdade a vapor, um semi-casamento a jato, uma pedalada quando em vez (do era uma vez). e pedalar é o que faz girar o meu mundo, não tem jeito. hoje, depois de uma aula de spinning (após longa e tenebrosa pausa), eu me lembrei quem eu sou. na verdade cochicharam no meu ouvido enquanto eu tentava subire controlar a rotação, pensando ao mesmo tempo no abdômen e em não forçar joelho, manter braço frouxo, bumbum pra cima, etc. talvez isso de ter pensamentos múltiplos na consciência corporal tenha reativado minha Priscila. esta Priscilinha querida do meu coração. que ama tudo e que quer ser bonita sim. e quer um espírito sarado, se é que me entendem os transcendentes. é bonito cuidar, tentar sarar o doente, tentar recuperar o desestimulado, tentar fazer riso com músculo voluntário. Mas mais bonito mesmo é olhar aqui pra dentro, ou até pra fora, mas de mim mesma. todo dia, de preferência de manhã cedinho, eu me dando uma dose absurda de vontade. se o resto do mundo não gira, eu rodopio sozinha. fico tonta e gargalho, caio no chão, levanto. rodopio de novo. assim é melhor que me enxergam bem mal e não podem ter certeza se eu estou rindo ou chorando. pouco importa, afinal, pra eles. eu estou é centrípeta pra mim!

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gerações conversando

será que eu mato a morte

se eu tragar

com toda força

a vida?

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quanto mais menos caibo

vontade contorcida de escrever sobre tudo que não seja eu mesma. sei que não dá, pois eu invado tudo que que me invade e assim fico pregada em cada letrinha, em cada risco de lápis, seja ele grafite, dermatográfico, Contè, crayon E viva todos os lápis, os papéis, todas as superfícies que ampararam ideias, acalmando o coração dos artistas que sabem usá-los. eu ainda não sei. ainda nem me sei artista. por enquanto. tem dado mais desespero por conhecer tudo que caiu num papel, numa tela, num filme, numa foto, depois de muito amolar os pensamentos de um ser bonito da cuca. é reconfortante saber de tanta gente que se manifestou diante desta paisagem louca da vida, esta gente que deixou um olhar seu virar verdade, nas cores e na forma que quis. ô coisa linda que é se fazer livre, de si e pra si!

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desembrulho

Quando ela nasceu, recebeu como presentes pacotinhos infinitos de despedidas. Bebê, ela ainda não entendia em palavras o significado daquilo. Mas parecia que tinham cochichado em seu ouvido, pois ela ela olhava demorado pra tudo, pra cada objeto, pra cada pessoa que vinha lhe apertar as bochechas. Ela parecia saber que aqueles momenos poderiam ser as centenas de últimas vezes guardadas no seu armário. E, de fato, não demorou muito pra começar a desembrulhar seus pacotinhos. Antes de completar dez anos, usou alguns “tchauzinhos” de caixinhas pequenas, e também um “adeus” do tamanho de uma bicicleta. Depois de adulta, se achava uma pessoa desapegada, com competência maior pra suportar qualquer perda. Até que foi obrigada a abrir o pacote mais lindo, o mais bem embrulhado de todos. Era necessária tanta delicadeza pra desamarrar as fitas, pra retirar cada camada de papel, cada fitinha colante das beiradas, que ela acabou se apegando de novo ao amor. E agora, por onde ela anda, ainda se podem ver pedaços coloridos das embalagens pregados na barra dos seus vestidos, grudados na sola do seu sapato, esquecidos nos bolsos dos casacos. Quem a vê de longe, pensa até que ela é das mais alegres.

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chove granizo do meu coração

hoje eu senti que escapolida. do amor. ora bolas, do amor que eu tanto escalo. escalo o amor de um lado do morro, e eu mesma do outro lado. tem hora que parece queda e é pulo.

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