tem faltado coragem e sobrado dor

apertamento de dentes. maxilar sobrevive, este forte único mordedor de mim. sirenes viraram cantiga de laborar, a toda hora são empurradas janela adentro. caem sobre meu colo, e eu tenho que continuar escrevendo juridiquês como se nada mais palpitasse. pessoas parecem não ouvir as sirenes, parecem não se afetar. nada dói nas pessoas tão acostumadas com excesso de som, de plástico, de maquiagem, de ódio. pessoas assistem cenas de boxe enquanto jantam. o lutador também usa placa pra proteger os dentes dos socos, enquanto as pessoas no restaurante mastigam outros tipos de sangue. esqueceram de me aplicar o anestésico quando fui nascida (porque a língua portuguesa põe a culpa em mim? nego!). vai ver fui eu mesma, esta que ousou nascer pensante, vai ver fui eu que ajuntei tanto dor pra sentir aqui dentro depois de digerir o fora. uns dizem que é preciso coragem. outros acham que equipamentos de proteção individual podem neutralizar a exposição a agentes maléficos. eu continuo palavras a tapas. e me embebedo de deseperança nas pessoas.

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