quero assistir o final do meu filme

quando a gente convive muito com o chocolate, convivência dessas de poder lamber o dedo toda hora, rola assim uma desvalorização mental do chocolate. a gente enjoa, é isso. hoje me deu um medo muito grande de estar novamente numa fuga de mim. sinto isso com clareza, especialmente quando olho estes processos sobre minha mesa. não sei exatamente há quanto tempo fujo, nem de onde ou do quê. é como se houvesse uma cena de um menina correndo num campo. e aí eu estou a rever a cena. mas na hora de voltar, aperto rewind e assisto como se fosse o filme. a menina correndo, pra trás. e de tanto ir e voltar essa cena, eu acabo não sabendo mais como foi feita, se a menina correu pra frente, normalmente, ou se correu pra trás. como se eu alterasse o sentido. ou perdesse o sentido. isso, bingo! permanece a direção, mas o sentido, qual é? o filme Trust, do Hal Hartley. me prendeu ontem e eu quase não consegui sair de casa, mas sai e não vi o final. fui num show, rock, pessoas bêbadas. eu também bêbada, eu também. homens razoáveis se enroscando em moças de peito de fora, vestido justo e muita maquiagem. e eu estava lá, eu sempre estou e sempre fico cogitando se não podia ser uma dessas meninas óbvias. cogito se tenho inveja. se me incomoda e por que. o fato é que este ambiente, a bebida, a vulgaridade, a caça, os beijos fáceis. este conjunto todo. parece o chocolate que eu não quero mais comer. to enjoada, por enquanto. por mais um enquanto.

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