ostra

aí é assim: você volta a frequentar as mesmas paredes, a se guardar nos mesmos armários, a se esconder dos mesmos vizinhos. entra o mesmo ar fresco pela janela. onde tinha rachadura, ainda tem rachadura. o pão de queijo parece mais barato e você pode comprar mil por dia, mas você não quer mais ser de pão de queijo. tem a cafeteria cheirosa com cookie, pra alegrar a metade da tarde de estudos (e você também não quer ser cookie). a academia, a mesma, mais cara pro mundo e mais barata pra caixinha da baratinha. o professor de spinning, o mesmo, cada vez mais empolgado, faz até mosquito pedalar. uma aula pode ser contagiante, pode até curar coisas sem cura. o trabalho mudou, agora é escrever igual gente grande. é isso que eu faço aqui sem freio, mas com freio ABS. e eu freio, e derrapo, e não saio do lugar. você toma coragem de uma vida inteira pra dizer que não quer mais e que não gosta. você diz, pede um emprego tranquilo que lhe dê estabilidade financeira pra poder fazer arte nas horas leves do dia. aí vem tudo bonito, perfeito, em resolução de tela led, super led amoled gorilla e sei lá mais quantos pixels. mas é pesado, por hora. aí ainda não é. ainda não é, de novo. uns resmungam baixinho: “que mais que ela quer?”, “reclamando de barriga cheia”, “ai, se fosse eu”. outros até gritam e mandam pensamentos flechas de invejinha orgânica. você sabe  que reclamar é feio, barriga cheia ou não. e você não quer reclamar. você só quer a leveza de um lugar desconhecido. quer amor todo dia. prato sem morte vermelha. ovo de galinha feliz. quer também um tablet, uma tv inteligente, um corpo sarado, uma pele de pêssego. um namorado que goste de viajar pra vinho e gourmet e também pra caminhar sem tomar banho no meio do mato. quer pai e mãe na academia. avó na hidroginástica, irmãos estudando, amigas concursadas. começa a querer tanta coisa e tanto que não é mais querer. é de novo um querido em série. querer sendo é aquizinho. isso aqui é a coisa mais linda do mundo e se chama escrever livre de ponto e de maiúscula. é escrever quase na velocidade do pensamento e deixar cada letra ser você por milésimos de segundo. porque na outra letra você mudou, mas uma letra te foi e te é de novo. e não importa o parágrafo, nem a conjugação verbal. você nasce toda hora e morre, e o ir e vir da vida, e respiração e ioga. e o livro da clarice que é pra quem já tem alma sênior e eu não consegui ler o começo e estou namorando na cabeceira da cama, sem ousar. tá vendo, que coisa linda, esta escrita maluca e errada. ô delícia! mas hoje o livro fez um sentido por causa disso aqui de palavra solta e livre. o sentido da coisa difícil  que é ser. ser é difícil demais. e escrevendo uma decisão de um processo eu ainda não sei o que ser. não sei ser direito aqui, mas aqui posso dizer que não consigo ser. é lindo, lindo, lindo. saudade que eu tava de ser achando que era, de ser de postar, todo dia. 

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3 Responses to ostra

  1. angelina diz:

    que delicinha princesinha!!!!

  2. The traveling salesman diz:

    Trocou tudo.
    É o pão de queijo para as tardes de estudo e o cookie com café italiano para o café da manhã.
    E a dona dos dedinhos “esfaicantes” jamais esta de barriga cheia. Porque a “barriguinha” é do tipo sem fundo. Não adianta querer encher. Sempre vai caber mais alguma coisa. A gulodice por doces, novidades, ideias e afins é infinita.
    Se é que você me entende.
    Vou ali, viajar mais um pouco.
    Já, já eu volto.

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