Isso é um assalto! Vai passando tudo que tiver de alma!

 

Por tabu que soe na minha criação de tradicional família cristã do interior de Minas, posso dizer tranquilamente que hoje aprendo muito com palavrões de pessoas toscas.  Estou nas primeiras páginas das “Mulheres” do Bukowski. Uma reflexão do personagem principal é digna de tese de doutorado sobre o embate dos gêneros:

“Se eu tivesse nascido mulher seria com certeza uma prostituta. Mas, como nasci homem, batalhava as mulheres, sem trégua; quanto mais fuleiras melhor. E, no entanto, as mulheres, as boas, me enchiam de medo, talvez por quererem minha alma; e o que sobrara da minha eu queria manter guardado. Em princípio, eu batalhava mulheres fuleiras e prostitutas, porque eram mais intensas e mais barras-pesadas, e elas não faziam exigências pessoais. Nada se perdia quando elas partiam. Porém, ao mesmo tempo, eu tinha uma inclinação por mulheres decentes, as boas mulheres, a despeito do preço elevado que se tinha de pagar. De um jeito ou de outro, eu estava perdido. Um cara forte desistiria de ambas. Eu não era um cara forte. Então, continuava o combate com as mulheres, com a ideia de mulher.”

O escritor bêbado vai filosofando e aprontando, capítulo por capítulo. Eu estou pensando cá pra mim: este livro deveria se chamar “Homens”, pois traz material farto e devidamente cruel para quem ousa tentar compreendê-los.

 

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