mecânica

 

Eu achei tão lindo isso de você me abraçar no meio da pista de dança. E me segurar no abraço, fazendo pausar a música, as luzes e os corpos frenéticos ao redor. Achei de uma lindeza tão gigante e nem sei como foi que eu saí dali, daquele casulo onde eu queria morar enroladinha e quente. Um eu te adoro me fez massagem no coração, mas foi massagem daquelas de força e dor. De ficar em pé sobre as costas ou dar uns murros, sabe? Era tudo que eu queria e, de repente, aconteceu. Aconteceu e eu enxerguei? Ouvi? Senti? Fiz meu discurso de gente que é emoção, que quer sentimento. O discurso mais ridículo e paradoxal ever. Ofendi, desdenhei. E você ainda me abraçou forte de novo, tentou me explicar que era aquilo. Eu, tonta de orgulho e de mágoa no ego, fingi que não percebi. Como pode uma pessoa ser assim tão complicada e dura? Como pode ter conserto?

– Meu bem, me desmonta inteira, igual você fez com aquele seu aparelho de som? Desmonta tudo, analisa as peças, descobre o problema e me conserta com outro abraço daqueles?

 

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