“a razão permanece confusa em presença do prodígio do amor”

 

O segredo do não fim: nunca procurar cheiro da pessoa amada no dia seguinte ao do encontro. Seja em lençol, travesseiro, toalha, camiseta, cueca. Não procurar, porque quem procura acha. Idealiza, aspira, pode até dar tontura. E aí, é o fim- da picada. De se ver que o cheirante pode estar sozinho de dar dó, mas sempre dá aquela olhadela ao redor antes de fungar, pra conferir se alguém assiste a ridiculeza da cena. E outra coisa que ele não resiste: fechar emocionadamente os olhos, na hora H. Não tem jeito, fecha mesmo, ainda que numa simulada piscadinha lerda. Fecha os olhos, faz cara de dor e suspira. Isso quando não tem a infelicidade de encontrar, grudado no travesseiro, um fio de cabelo. Se tem o fio, aí é música amor na certa! Brega? Não sei se posso usar este termo depois de assistir “Vou rifar meu coração”. Nem sei mais se o que é mais amoroso é um poema, uma prosa, ou uma música sobre um fio de cabelo. Uma prosa….ops!

Então, assim, meio que mudando e não mudando de assunto: alguém compra uma rifa pra me ajudar? Baratinho. O sorteio é ontem, pelo amor de Deus! Como assim, ontem? É ontem mesmo e não se fala mais nisso. Ontem vai sair o ganhador deste prêmio; então os interessados que se adiantem pra comprar seus bilhetes. Pode ter mais de um premiado, acho até que vai ser recorde pra um mesmo prêmio. Felicidades múltiplas. Orgasmos ainda na fila, não sei sabe se vão conseguir comprar seus bilhetes da sorte (a fila continua andando devagar e é quase hora do sorteio). Acumular prêmio não pode, porque já acumulou demais e agora só explodindo pra caber mais gente. O bilhete é este aqui: Sala 3, 19:20hs.

Em particular, a mulher que desabafa sentada com duas amigas, na varanda de uma casa de interior. Ela confessa um sofrimento absurdo e infinito, por amor. E esbanja espontaneidade e alegria, ainda assim. Essas coisas de quem sente tudo exagerado e acaba fazendo tragicomédia com a própria vida, pra sobreviver-se.

Ai de quem reclamar do português errado na fala de algum personagem! Ai de quem reparar na toalha de mesa rasgada, ou no furo ou na mancha de uma camiseta. Ai de quem rir da gambiarra pra ligar o som e ouvir um cd pirata! Ai de quem não conseguiu nunca amar o brega que mora no amor!

http://www.vourifarmeucoracao.com/trailer.htm

 

 

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