Sobre um hoje que passou

Hoje é dia de cabeça pesada sobre o ombro. É dia de perna pesada pra dança. É dia de começo de gripe. Ontem foi quando eu esperei seu tempo de entender, de refletir. Ontem foi também quando você se misturou com o mundo e nosso entendimento ocular se perdeu. Ontem você me magoou e ontem mesmo eu esqueci. Meu risco na superfície da água está cada vez mais superficial. Cada vez mais imperceptível pra necessidade de ondas do universo. Eu prefiro furar a onda a surfá-la. Eu me encontro no mergulho, na profundidade. A justiça do mundo não está em ser considerado inocente quando não se cometeu um crime. A justiça é feita dentro do acusado, com a resignação que lhe constroem o tempo e amor. Se estivéssemos aqui para ser compreendidos e para compreender- tão somente, a lição poderia ter sido enviada por email e lida no conforto do lar. No entanto, cá estamos: sem manual de instruções, para errar e berrar desorientadamente. Para respirar. Para respirar, e isso é incrivelmente o tudo que fomos incumbidos de fazer. É a missão, o caminho e a ferramenta. O ar hoje está denso. Eu estou embaçada de fora pra dentro. Mas sempre dá pra encontrar alguém complacente, nem que seja a cantora desencarnada que enche meu ouvido de chá de hortelã morninho e refrescante.

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