Palavras

Eu escrevo o tempo todo e desde que me entendo por gente. Escrevo sem lápis, sem caneta, sem papel e sem teclado. Não escrevo pra dentro, escrevo por dentro mesmo. É como se minha cabeça fosse forrada por um rolo de papel interno, rodando na minha testa a responsabilidade do jornalismo do meu próprio mundo. Um pergaminho infinito que se abre em sustos pra me lembrar sempre que tudo merece um registro em palavras. Escrevo lendo, assistindo, contemplando seja lá o que for. Não carece inspiração ou emoção, é fisiológico mesmo. O livro pode ser péssimo, o filme pode ser de terror ou até pornográfico. Aliás, se tem coisa que dá uma vontade danada de escrever é o tal do amor em plena produção. Aí o corpo todo escreve em coro, mãos, pernas, bocas e cheiros. Como se as portinhas da gaiola se abrissem e libertassem minhas palavras, que desinibidas se aproximam das suas para dispararem todas em um vôo independente de censuras. Nos segundos seguintes fico sozinha e inexpressiva, de férias da escrita pra curtir o único prazer mundano que merece o segredo. Por isso é tão curto. Logo voltam as palavras, deliciosas como um bolo saindo do forno. Ai, que vontade que deu de escrever com você ao meu lado!

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